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4 Lições de Liderança do Carnaval

Os maiores aprendizados vêm das situações cotidianas. Na folia, como nos negócios, a liderança pode ser a diferença entre a apoteose e a tragédia.





Eu não sou muito da folia de Momo, mas a minha melhor amiga é, e trouxe o filho adolescente para conhecer o Carnaval de São Paulo. Hospedados na minha casa, não restou alternativa senão me render à experiência.


Durante os três dias em que fomos a alguns dos bloquinhos mais famosos do circuito, pude constatar o papel da liderança em quatro dimensões.


Liderança de Si: Pense num calor de 38 graus, a rua lotada de gente suada que não se movia nem para frente, nem para trás. Música ruim, cada vez mais longe. 


A agonia tomando conta do corpo até quase a vista escurecer. "Não posso desmaiar aqui e dar trabalho pra elas, tenho que ficar bem, respira, respiiiiira..." 


Depois do sufoco, confessamos umas às outras: "Só não desmaiei por sua causa".


Quantas vezes você se pega pensando ou dizendo: "Só fico por causa do time", "só não xinguei o cliente porque a gente precisa bater meta", "só não desisto porque..."?


E que falta fazem profissionais com a mínima disposição de resistir por um tempo, por alguém, por algo que valha a pena!

Liderar é, antes de tudo, liderar-se, o que significa gerenciar os seus recursos para um fim maior e coletivo, sejam eles ar rarefeito, cerveja quente, paciência escassa ou budget apertado.

Liderança do Contexto:  O perrengue nos ensinou a hackear o sistema. A melhor experiência nos bloquinhos (pelo menos se você é 40+) se consegue em parceria com os vendedores de bebidas. 


Os "marreteiros", como se autodenominam, chegam por volta da meia-noite para pegar um bom lugar - em frente a onde o trio para - e tiram 150 reais num dia bom. 


Se você garantir o faturamento, pode ter o seu camarote pessoal e curtir o show protegida pela sombrinha do guarda-sol. 


Estávamos bem posicionadas, quando um DJ famoso começou a tocar. No ápice da concentração de pessoas, um quase princípio de confusão. Uma adolescente passou mal e logo a vendedora cedeu seu banquinho. Uma garrafa de água surgiu do nada para refrescar o rosto pálido. 


Segurávamos firme o carrinho, que ameaçava tombar com o empurra-empurra. "As bebidas são consignadas", sussurrou a vendedora tomada pelo cansaço. Quando me dei conta, tínhamos assumido as vendas, passando cartão pra cá e latinhas pra lá. 

Moral? Na hora da crise, não funciona a filosofia do cada qual com seu cada um. Gente com visão 360, que não apenas reage mas muda o contexto, impede que o caos dure mais que o necessário para nos manter alertas.

Liderança de Multidões: Quem comanda o show tem mais que a incumbência de entregar o combinado. É responsável pela energia do público. 


Era nítida a influência de quem estava no alto do caminhão sobre os humores de quem estava no chão. 


Sabe o quase tumulto do item anterior? Poderia ter sido evitado se o artista tivesse a sensibilidade de não dizer que queria "bagunça".


Veteranos com senso de dono param a música para pedir calma quando necessário. E funciona.

Se você está na liderança, não subestime a amplitude do seu impacto. Aja como uma influenciadora e gerencie a mensagem que chega a quem está em níveis diferentes de experiência e para além do seu campo de visão. 

4. Liderança de Pensamento: Tem a ver com a cultura de um povo e, por isso, a meu ver, é a dimensão mais importante da liderança.


Campanhas como #nãoénão já vêm de outros carnavais, mas foi nesse ano que me senti mais segura sendo mulher com pouca roupa em uma festa popular. 


Não foi uma percepção individual e enviesada, mas compartilhada entre mulheres diversas com as quais converso diariamente nas redes: "Os homens sorriam, puxavam papo, mas evitavam encostar". 


Se eles estão mais conscientes ou apenas com medo das consequências, o que importa é que a era do "vale tudo" no Carnaval está ficando para trás.


Quanto falta para a era do "manda quem pode, obedece quem tem juízo" ficar para trás de vez nas empresas?

Mudança cultural dá trabalho e leva tempo, mas não é por isso que você vai desistir. Liderar é escolher plantar uma sequoia em vez de três feijões num potinho com algodão.

Mesmo que você não veja a árvore tocar os céus, o legado da liderança sobreviverá a você. E essa é a magia dessa festa que acontece o ano todo chamada Vida.


Voltando à rotina, começa o aquecimento para a turnê de palestras do Mês da Mulher, e eu vou adorar impulsionar as quatro dimensões da liderança feminina na sua empresa.





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