Três atitudes para lidar melhor com as críticas

Atualizado: 19 de Abr de 2018


O recurso mais precioso e difícil de encontrar é alguém que fale a verdade sobre nós mesmas.

Chega um momento em que, para avançar na empresa, expandir o próprio negócio ou começar do zero em uma nova profissão, é preciso mais que nos considerarmos prontas. Precisamos, de fato, estar preparadas.



Nesse caminho, o recurso mais precioso e difícil de encontrar é alguém que fale a verdade sobre nós mesmas.


É o que acontece com a colega que tem mau hálito, comete erros crassos de português ou se veste de maneira inadequada para o cargo que exerce. Embora todo mundo saiba que o melhor para ela é encontrar quem lhe dê um toque, nem sempre as pessoas se prontificam a fazê-lo.


Críticas são um terreno pantanoso, tanto para quem dá quanto para quem recebe. Se isso não fosse verdade, elas não teriam sido rebatizadas de "feedback" - cuja corruptela eu não posso publicar aqui - mas que descreve bem o que acontece, em grande parte dos ambientes profissionais.


Um belo dia, depois de meses sem saber se está fazendo a coisa certa ou não, você é chamada à salinha do mal. Lá, alguém esfrega as mãos e desanda a falar do que " tem tado observando, tá tendo que mudar e tá esperando que você teja entendendo"...

Um jeito menos doloroso (e viscoso) de encarar o dar e receber críticas é adotar uma mentalidade diferente em relação a elas.


1. Toda crítica é um presente:

Quando emissor e receptor se convencem de que levar uma chamada hoje evita um fracasso esculpido em bronze amanhã, a paranoia diminui e ambos entram em um nível sênior de conversa, em que não cabem artifícios do tipo embalar a crítica entre dois elogios açucarados para compensar.

Aliás, essa técnica só serve para desvalorizar os pontos fortes do profissional, que se tornam os pães do sanduíche (vamos combinar: o que faz o sanduíche de mortadela do Mercadão ser um clássico paulistano é a mortadela, não o pão).


2. Dissocie mensagem e emissor:

Idiotas também ajudam! Às vezes (muuuitas vezes), a crítica é usada como instrumento de dominação. Ainda assim, o conteúdo delas pode fazer sentido. Vai por mim. Até hoje, as melhores sacadas sobre o meu trabalho eu não escutei da minha mãe nem do meu amigo gay, e sim das minhas (per)seguidoras favoritas.

Apenas tenha o cuidado de filtrar o componente emocional delas e buscar orientação de quem lhe queira bem, na hora de planejar a mudança.


3. Peça uma segunda opinião:

Sempre achei que o trabalho de um escritor fosse uma tarefa solitária e autocentrada, até que, acompanhando o processo de escrita do Roberto Shinyashiki, aprendi que autores best seller se importam com a opinião dos leitores.

Por isso, é comum eles distribuírem algumas cópias a especialistas e representantes do público a que se dirigem, para que façam uma "leitura crítica".

Se pensarmos nossa carreira como um manifesto, tal como um livro, faz todo o sentido escolhermos algumas pessoas de confiança para fazerem uma "leitura crítica" das nossas atitudes profissionais.

Afinal, amigo é quem não deixa você sorrir com um verdinho no dente.

(publicado primeiramente em www.brasilpost.com.br)  


Gostou? Aqui tem mais! Gravei esta palestra em Portugal sobre a arte de dar e receber críticas.

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